segunda-feira, 16 de novembro de 2015

BOAZ DE ALBUQUERQUE/ MPMBRASIL, FALANDO SOBRE LUTA POR MORADIA EM LUZIÂNIA-GOIÁS





















JORNAL O MENSAGEIRO - EDIÇÃO 394 - ON LINE
LUZIÂNIA
BOAZ FALA SOBRE PROGRAMA MORADIA
JM - Quando o senhor começou a coordenar o programa Moradia em Luziânia?
Boaz - Há quatro anos iniciamos o movimento de moradia na cidade, contudo nunca prometemos casas, porém temos avançado mesmo com muitas dificuldades.

JM - O que foi feito até hoje no Programa?
Boaz - Temos avançado com relação a projetos e já iniciamos, em parceria com a entidade Amis, a construção de 192 casas no bairro Parque Alvorada I. Já temos projeto aprovado junto ao Ministério das Cidades e anuência para iniciar, agora já no mês de dezembro, quando tardar início do ano 2016, a construção de mais cento e cinquentas casas no mesmo local. Um projeto denominado Condomínio Hebrom, no Jardim do Ingá, especificamente na área do Jardim Marajoara, aprovado já pela prefeitura. Estamos apenas aguardando a normativa do Minha Casa Minha Vida 3, para junto à Caixa e o Ministério das Cidades, aprovarmos o projeto e iniciarmos a construção de 259 casas no distrito do Ingá. Temos ainda mais dois outros projetos em andamento, dependendo das aprovações junto à prefeitura. Projeto de 200 casas no Jardim Umuarama e 500 apartamentos na área antes do Parque de Exposições.

JM - Quantas pessoas estão inscritas no Programa?
Boaz - No Movimento temos mais de dez mil pessoas inscritas. Alertamos que o déficit habitacional é muito grande em nosso município.

JM - Já existe alguma previsão de entrega de casas às pessoas cadastradas?
Boaz – Sim, até o mês de março estaremos entregando as primeiras unidades no Residencial Almirante Vermelho, no Parque Alvorada.

JM - Inicialmente, quantas pessoas serão contempladas?
Boaz - Inicialmente serão 342 famílias no Parque Alvorada e 259 no Jardim do Ingá.

JM - Onde estão sendo construídas as primeiras unidades?
Boaz - No Parque Alvorada I.

JM - Qual a maior dificuldade que o senhor tem encontrado no comando do Programa Moradia?
Boaz - A burocracia do sistema, a instabilidade do Governo Federal e falta de conexão das exigências do programa, com detalhes de exigências técnicas que não encontram interação com os departamentos de obras dos municípios.

JM - O que a prefeitura tem colaborado com o programa?
Boaz - Digo que a Secretaria de Aceleração do Crescimento do município tem buscado um intercâmbio com as entidades para amenizar as dificuldades burocráticas do próprio programa.

JM - Esse programa é do governo municipal?,
Boaz - Existem duas modalidades dentro do próprio programa: um é pelo FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), que trabalha com os governos estaduais e municipais. O qual a prefeitura realizou no caso das casas do Jardim São Paulo, porém a outra modalidade é pelo sistema FDS (Fundo de Desenvolvimento Social), o qual o Governo Federal trabalha com entidades organizadoras, ONGs, cooperativas e associações habitacionais. No caso nosso, somos uma ONG, MPMBRASIL, e trabalhamos como ONG. Temos, é claro, um bom relacionamento junto à prefeitura e tentamos ao máximo manter este relacionamento, até mesmo porque sou secretário atual no governo e lido diretamente com moradia, além de outras atribuições.

JM - No dia do almoço dos servidores públicos, o prefeito Cristóvão Tormim fez menção ao Programa Moradia e encaminhou as pessoas interessadas à Secretária de Promoção Social e Trabalho, Cassiana Tormim. Como o senhor se sentiu?
Boaz - Na verdade, o governo é amplo. É claro e natural que no primeiro momento o prefeito encaminhe a inscrição na Promoção Social, porém temos um projeto de cidade e se faz necessário observar o projeto em um todo, para que não se crie insatisfações. Mas nossa secretaria está aberta e estamos desenvolvendo um trabalho para os servidores desde o dia que adentramos na pasta. Tenho certeza que o prefeito é sábio, e não tivemos a oportunidade de nos reunirmos para que apresentássemos, de forma bem técnica, as modalidades do programa e a experiência que temos para viabilizar de forma específica a construção de moradia para os servidores, até mesmo porque quando estive na Câmara Municipal como vereador, apresentei um projeto que dispõe sobre o Programa Habitacional do Servidor Público, isto em 2003. A Lei leva o número 2641. Temos uma proposta para moradia em nossa cidade e, pelo fato de fazermos parte do governo, precisamos de forma direta trabalhar em conjunto. Nós do PDT, juntamento com o PCdoB, somos pioneiros em Goiás pela luta por moradia, e aqui em Luziânia não é diferente. Somos nós também pioneiros nesta luta.

JM - Qual a providência que o senhor vai tomar depois deste fato?
Boaz - É claro que a prefeitura tem seu sistema e fazemos parte dele. Somos conscientes da nossa posição. Não vamos tumultuar nenhum processo, até mesmo porque este não é o nosso papel. Temos projetos de moradia, temos propostas, dentre as quais somos agentes políticos e sabemos a dinâmica da política em sí, porém a valorização de sermos parte de um projeto de governo é a única forma de nos mantermos firmes a este projeto.

JM - qual a ligação da secretária Cassiana Tormim com o Programa Moradia?
Boaz - Se o projeto faz parte do governo municipal é claro que a Promoção Social é de fundamental importância no mesmo. Porém, independente de quem esteja ocupando a pasta, somos parceiros do prefeito e estamos no governo porque acreditamos na unidade do mesmo. E é claro que assim nos comportaremos dentro desta unidade.

JM - O senhor se sentiu ofendido com o fato do prefeito Cristóvão ter indicado a Secretaria de Promoção Social e Trabalho para responder pelo programa?
Boaz - Ofendido não, porém como vivemos em uma dinâmica política, precisamos analisar o projeto municipal com a mesma intensidade que somos observados.

JM - Alguma pessoa do governo o procurou para conversar, sobre a atitude do prefeito em colocar o Programa Moradia como programa do governo municipal?
Boaz - Falei com o prefeito, porém este, inicalmente é um projeto que pode alavancar de forma direta moradias para os servidores e seus familiares. Vamos, é claro, nos reunir para com isso darmos nossa contribuição. Vejo o projeto em sí com bons olhos. A nossa participação é fundamental, pois lidamos diretamente com isso em nosso dia a dia. É claro que somos parte deste governo e não de forma periférica. Temos nossos valores e não abrimos mão deles jamais.

JM - O senhor acha que o prefeito privilegia algum companheiro?
Boaz - Todo governo tem suas prioridades e acaba, com isso, dando maior visibilidade a alguns. embora de forma até imperceptível. Sou servidor da prefeitura, servidor efetivo a 28 anos. Conheço todos os vícios de uma administração. Sei que a secretaria, como a de Desenvolvimento Urbano, Promoção Social, Educação e Saúde são as secretarias que mais têm visibilidade, seja negativa ou positiva. Contudo, um governo deve sempre primar pelo princípio da unidade para não gerar insatisfações administrativas e políticas.

JM - Considerações finais.
Boaz - Sou um legítimo cidadão luzianiense. Não nasci aqui, mas meus pais vieram para Luziânia em 1968. Aqui nasceram alguns dos meus irmãos, aqui constituí família. Hoje sou pai e avô. Tenho amor por esta cidade. Sou um servidor público de carreira. Tenho militado na política por ideal, acredito na seriedade dos homens públicos, apesar de tantas mazelas que vejo a nível nacional. Acredito na política como meio de transformação, acredito que não estamos aqui por mero acaso. Amo o que faço, pois, minha maior alegria, é ver em nossas reuniões de moradia o brilho nos olhos dos idosos, das mulheres e das crianças na esperança de obter uma casa através de nosso trabalho. Isso não tem preço. É muito maior do que qualquer componente que não seja o ideal de realeza. Política passa, até a gente passa, mas aquilo que deixamos como legado, isto sim, jamais será esquecido.

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